O Consumo Da Água

08/04/2010

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Em recente edição de um periódico de distribuição nacional, no seu caderno regional, comentou-se a respeito do excesso de consumo da água na região de Ribeirão Preto – fato inconteste; no entanto nada foi dito a respeito do que está sendo feito para racionalizar este tipo de comportamento, que começa na distribuição do precioso líquido, com vazamentos ocorrendo, seja por uma pressão com difícil controle e constante, 24 horas por dia, que em momentos de pouco consumo pode aumentar a pressão na tubulação, rompendo-a, ou por tubulações antigas – algumas com mais de cinqüenta anos, principalmente no centro de Ribeirão Preto.


Outro problema para o excesso de consumo é a própria má utilização da água pela população que aplica de forma desordenada este nobre líquido responsável pela vida na terra, seja lavando calçadas e quintais com mangueiras abertas, seja desprezando o possível reaproveitamento da água da chuva, ou simplesmente, não acompanhando os possíveis vazamentos internos em sua propriedade.


Além dos órgãos municipais autônomos e a empresa estatal – a SABESP, que atua em alguns municípios da região, existe um órgão de grande importância que vem desenvolvendo, desde 1996, uma política de gestão e planejamento na utilização dos recursos hídricos existentes na região. Trata-se do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, colegiado tripartite com membros dos poderes públicos estadual, municipais e da sociedade civil.


Desde 2006 o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, preocupado com a explotação exacerbada, ou seja, a extração com proveito econômico da água do Aquífero Guarani, vem mantendo áreas de restrição à perfuração de poços tubulares profundos no município de Ribeirão Preto, onde o abastecimento de água para consumo humano é obtido totalmente daquele nobre manancial subterrâneo.


Por outro lado, estações de tratamento de esgoto, agora financiadas por órgãos do governo do Estado, até compra de um veículo coletor de lixo para um município de pequeno porte, foram concretizados com verba do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, provinda de “royalties” de hidrelétricas instaladas no Estado de São Paulo, devidamente discutidas e aprovadas pelo Comitê.


Hoje, as palavras Educação Ambiental são a todo instante proferidas por dirigentes e gestores ambientais e, principalmente, membros da sociedade civil voltados às causas ambientais. Dependesse deste escriba, seriam reduzidas algumas toneladas de tinta de impressão, caso a palavra “ambiental” fosse eliminada e apenas a “Educação” permanecesse. É nela e dela que tudo se emana.


Houvesse simplesmente “Educação” da população, o lixo teria seu volume reduzido, aumentando a vida útil dos aterros sanitários, as donas de casa e suas respectivas “secretárias do lar” não estariam a todo instante lavando calçadas e sarjetas com mangueiras (as chamadas “vassouras hidráulicas”), levando aos bueiros da vida a mais nobre das águas, nossa água subterrânea!
Houvesse Educação, não teríamos epidemia de dengue por presença de criadouros dentro de propriedades dos mesmos que reclamam da moléstia!


Houvesse Educação e não teríamos problemas de gestão a todo instante nos rondando, desde uma falta de planejamento, há muito tempo, em distribuição e armazenamento de água para consumo humano, que remonta a década de cinqüenta, até a permissão para a impermeabilização do solo em partes altas de microbacias hidrográficas urbanas, alimentando o processo de enchentes ou de áreas de recarga de águas subterrâneas.


Acredito que os comitês de bacia estão cumprindo com aquilo para o que foram criados. Falta o cumprimento por parte da população àquilo que lhe compete, sem, no entanto, deixar de cobrar promessas e coisa e tal, do poder público constituído.


Com a palavra aqueles que acreditam ser a EDUCAÇÃO a “célula mater”da civilização humana.


Paulo Finotti é Químico Industrial Modalidade Engenharia Química, Professor Universitário, Presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente – SODERMA, ex - conselheiro do CONAMA (1996-2002), Vice-Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Pardo, da Comissão Técnica de Meio Ambiente do Conselho Regional de Química- SP, e da Ordem dos Velhos Jornalistas de Ribeirão Preto.

Paulo Finotti

 
 
 
 
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